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XICO SÁ (na Folha de hoje)
AMIGO TORCEDOR , amigo secador, noves fora qualquer julgamento -que moral tenho para fazê-lo?!-, é tocante essa história do Imperador que busca refúgio e alívio para o desassossego na sua saudosa maloca. Quando o gigante desaba, e desaba na humaníssima frequência das criaturas que não aguentam o tranco das dores do mundo, é lá na Vila Cruzeiro que o cara reencontra o mínimo de eixo. É na cadeira de lata do bar da favela, como descreve o leitor Marcos Barbosa, que ele acha o bálsamo. Não é na boate da moda na Europa ou no Rio. Que me desculpe, amigo, a comparação barata deste cronista que ama bom populismo à milanesa. É na primeira cerveja esclarecedora e de direito, aquela que limpa os caminhos do filho que à casa torna, que um homem redescobre a razão mínima para estar vivo. Pouco importa se a causa do infortúnio é a dificuldade de lidar com o sucesso, como apontam psicanalistas, ou uma dor de cotovelo digna de letra de Lupicínio Rodrigues. Nesse momento não adianta afogar no álcool a sua lembrança, como na vingança ridícula da música de Cartola. Não é um trago em qualquer canto, não é um fogo no primeiro bar que encontra aberto, não há fuga possível a não ser na quebrada existencial de sua origem. É lá que abraçamos com força os nossos rancores, é lá que o moreno, por mais bobagens que tenha feito na vida, ganha colo quente e cafunés sinceros que fazem bem ao juízo. Sim, o amigo aí, equilibradíssimo, quase sem defeito de fábrica, homem imaculado, pode achar que se trata de um maluco, de um irresponsável, de um cara que rasga dinheiro. Você, leitor mais sensível, pode recomendar uma terapia intensa etc., algo para fazer uns ajustes na cabeça do rapaz. Mas nada substitui esse retorno, como um caubói ferido, ao velho rancho. De que vale Milão e todo o seu luxo, de que vale Ferrari, modelos ou o futuro, se o cara está com os olhos embaçados pela fuligem ácida de existência troncha? Como no poema de Manuel Bandeira, "que importa a paisagem, a Glória, a baía, a linha do horizonte? - O que eu vejo é o beco". Ilha da fantasia Os cartolas do Sport conseguiram o que parecia impossível: esvaziar a Ilha do Retiro e quebrar a magia de Lost, principal trunfo da equipe. Ê ganância sem fim. O preço dos bilhetes na Libertadores afugentou a turma do "cazá, cazá, cazá" do estádio. Com o Palmeiras, o Leão contou com menos de 20 mil fãs na galera. Um fiasco que amarrou as pernas dos rubro-negros em campo. Ou joga com o bafo dos 35 mil no cangote dos adversários, como na final da Copa do Brasil com o Corinthians, ou não vai longe nas Américas. Óbvio que o time do Luxemburgo foi melhor, mas enfrentou uma Ilha meia-boca, não o velho caldeirão do diabo em vermelho e preto. E que festa fizeram os secadores do Náutico e do Santa. Parecia a saída do bloco "Eu acho é pouco" ou do "Homem da Meia Noite" no Carnaval em Olinda. A gozação de alvirrubros e tricolores ontem em firmas e botequins do Recife era sinistra: "Que leão que nada, o Sport não passa de cadela de peruca". Escrito por Alessandro Rodrigues Pinto às 18h35
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Pra que servem os estaduais e os promotores? Afinal pra que servem os Estaduais? Antecipando desculpas pelo bairrismo. Pra que serve o Paulistão ou paulistinha? Diferentemente de muita gente do bem, sou (era?) favorável ao estadual paulista, aprendi a gostar de futebol por causa dele (há algum tempo, chego aos 35 se Deus quiser neste ano, era o Brasileiro a porcaria), mas não seria tão egoísta. Não clamaria pela manutenção do campeonato pra satisfazer minha nostalgia. Vejo mesmo sentido na coisa. São Paulo tem muitos clubes de série A, verdade que alguns com futebol de B, mas a recíproca é verdadeira. De toda forma, há uns 7, 8 clubes em condições de proporcionar bons embates, como os que se viram neste final de semana. Mais que isso, posso ter o direito de querer ver meu time enfrentar o Corinthians, por exemplo, mais de duas vezes por ano, não? Está na rivalidade local o sentido da coisa. É nela que também está o sentido da paixão. Será que paixão tem sentido? Perguntemos ao Wando! Perguntem aos nossos amigos cariocas se estou certo. Comemora-se por lá a Taça Guanabara com uma graça que, orra meu, jamais entenderíamos. O futebol carioca, ao menos em época de estadual, parece bastar-se em si mesmo, pro bem ou pro mal. Como diz melhor do que ninguém nosso professor Hilário Franco Jr., o futebol é nossa maior e mais sofisticada metáfora. Então, se o sentido está na rivalidade, nada melhor do que este Paulista, afinal depois de muitos anos chegam os quatro grandes à fase decisiva. É hora de ligar pro meu pai, pros meus amigos e de dizer vamos ao estádio neste fim de semana, mas não vai dar. O estadual, evidentemente longo demais, enfadonho, nefasto ao planejamento de todo calendário futebolístico nacional, mas irresistivelmente charmoso, na hora do charme maior, decepciona. Não é possível ir ao estádio, torcida rival tem dias contados, resume-se a 2000 pessoas. Que pessoas? Nem eu, nem meu pai e nem meus amigos. Mas deixemos estar, é semana de comemorar. Hoje, inclusive, ouvi e li que justiça foi feita, os clubes exerceram o seu direito. Direito? Que venham os clássicos? Clássicos? Como não sou Armando Nogueira e nem Nelson Rodrigues, não vou nem tentar definição maior de clássico do que minhas limitações com as letras permitem: Clássico é jogo com duas grandes torcidas ou, só mais um pouquinho: Clássico sem duas grandes torcidas não é clássico e vice-versa! E que o Wando me perdoe. Mas não dá mais. Ao menos é o que jura o nobre promotor Paulo Castilho, incensado por muitos, nem sempre tão nobres, amigos da “crônica esportiva” e dirigentes. Da ótica do nobre promotor, a violência leva a essa atitude drástica e inaugura a seguinte lógica: Se diminuímos o número de visitantes, diminuímos o risco de conflitos, logo... (isso me lembra aquela do cara que ao flagrar a mulher com outro no sofá, vendeu o sofá!) Confesso-me ignorante pra tentar definir as funções do Ministério Público, mas creio ser razoável o entendimento de que deve defender o interesse social. Se for pra isso, a idéia é inócua, inoportuna e aparentemente pouco inodora. Há muito não registrávamos episódios de violência dentro de estádios em São Paulo. Inaugurada a, quero crer bem intencionada, lógica e: pumba! Problemas com a torcida do Corinthians no Morumbi, com a do Santos no Pacaembu. E no próximo final de semana? Imaginar que a diminuição do número de torcedores de uma agremiação resulta em proporção na diminuição de maus torcedores é de uma inocência tão grande, ou maior do que a boa intenção. Só não é maior do que a “NA” (notoriedade acidental). O promotor só não é mais notícia no Paulistão do que Ronaldo... Tenho certeza de que o nobre promotor é não só competente e bem intencionado quanto “vacinado” contra os riscos da “NA”. Não demora muito, promotor, e os que lhe incensam não hesitarão em sugerir: ao invés de 5% porque não um só? Um por cento? Não, uma pessoa. Pensemos nisso, um jogo com uma grande torcida e uma pessoa, o Judas, já que o sábado de aleluia vem aí. É só ligar pra (041) e um celular qualquer, responder a um questionário cultural, e participar, escolha você o Judas da semana! Houve um colega seu, promotor, lá se vão uns 15 anos, que com a mesma volúpia e boa intenção, quero crer, interferiu dramaticamente na dinâmica dos jogos e das torcidas. Conseguiu paralisar a discussão, agora retomada, por 15 anos! Andamos pra trás! Ele, vitimado pela “NA”, hoje legisla. Não sei quem ganhou e quem perdeu promotor. Mas desejo melhor sorte ao senhor e, sobretudo, a mim, ao meu pai, aos meus amigos e ao Wando. Ah! Esse nosso professor Hilário... Escrito por Alessandro Rodrigues Pinto às 04h11
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