Às vésperas do confronto com o Botafogo, o Grêmio foi surpreendido com a saída de Roger para o Qatar Esporte Clube. A baixa repentina deixou o presidente Paulo Odone irritado, uma vez que o clube gaúcho luta pela liderança do Campeonato Brasileiro e o meia é o artilheiro da equipe na competição, com quatro gols.
Cinco meses após recepcionar Roger (d), presidente Odone se sente traído | Os direitos federativos do meia pertencem ao Corinthians e foram negociados por US$ 5 milhões (cerca de R$ 8 milhões). Apesar de o jogador confirmar o acordo, o clube paulista negou, por meio de nota em seu site oficial, que tenha negociado o atleta com o time do exterior. Roger, que ainda fará exames médicos, assinará contrato de dois anos com o time árabe.
Inconformado, Odone comparou a saída de Roger com a transferência de Ronaldinho Gaúcho ao francês PSG, em 2001 - atualmente no Barcelona, o meia-atacante é considerado traidor no Olímpico e pela torcida gremista.
"A torcida do Grêmio pode esperar respeito do presidente, mas se vê que não pode esperar o mesmo de um jogador. O Roger não vai sair daqui como o Ronaldinho, que deu adeus sem nenhuma negociação. O departamento jurídico vai analisar o caso e vamos buscar os direitos do clube", atacou o mandatário, que revelou como foi informado da saída do armador.
"Não, estou festejando", ironizou. "O jogador me diz 'estou indo embora, não quero jogar domingo [contra o Botafogo]'. Quer que eu festeje? Não tem como separar as coisas. O atleta está jogando como titular e espera chegar uma sexta-feira para dizer que não vai jogar no fim de semana. Não é a forma mais profissional de se tratar", disse.
Barrado de utilizar a sala de conferências, onde ocorrem as entrevistas coletivas, Roger teve que falar com a imprensa no estacionamento do estádio Olímpico. O meia, que ficou menos de seis meses no tricolor gaúcho, disse que está deixando o Grêmio "com o coração partido".
"Estou saindo com o coração partido. Dá para perceber a minha emoção. São coisas que acontecem. Aqui eu recuperei o prazer de jogar futebol. Aqui senti novamente a emoção de ter o torcedor ao meu lado. Saio triste. Gostaria de deixar as portas abertas, mas estas oportunidades não se perdem. Tenho que pensar no meu futuro", disse o jogador.
Sobre a ira do presidente, Roger usou o argumento que o clube gaúcho não paga todo o seu salário. "Eu também não gostaria de sair. O Grêmio tem todo o direito de se sentir desta forma, porque eles me ajudaram bastante. Mas também o Grêmio não pode esquecer que o clube paga apenas 40% do meu salário, cheguei aqui de graça. O valor que foi estipulado em caso de rescisão unilateral era de um jogador desacreditado. Se acontecesse o contrário, certamente está clausula seria utilizada da outra parte. Meu coração está ferido, mas a razão falou mais alto."
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