Continuamos a repercutir os principais pontos do ótimo evento realizado no Rio no último dia 25.
Rio de Janeiro (25/04) - A ministra Marta Suplicy, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e o secretário de Turismo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, falaram hoje (25), no Rio, sobre os projetos de suas áreas, após a abertura do Seminário Internacional, que discutiu os preparativos para o mundial de futebol. Confira os destaques:
Trem bala
A ministra Marta Suplicy informou que: Uma reunião no Palácio do Planalto sobre o projeto de implantação do trem bala foi realizada há uma semana, com a ministra Dilma Roussef, representantes do BNDES, e de outros integrantes do governo federal. O estudo já está em processo adiantado e há um enorme esforço para que fique pronto até 2014. O que eu estava comentando é que o prazo é muito exíguo. Algumas pessoas podem achar estranho estarmos em 2008 já pensando em qualificação, mas tudo isso é investimento de longo prazo. Um projeto como o trem bala é para ser executado em muitos anos. Por isso, precisamos correr para que ele fique pronto para a Copa.
Todo o processo de implantação do trem bala já está em andamento. O governo federal já tem consultoria contratada pelo BNDES. Ainda tem de ser decidido de onde ele vai sair. Pode ser interessante sair da Barra Funda. Outros acham interessante sair da Estação da Luz. O importante é que o trem bala vai ligar dois dos principais aeroportos do país, sai de Viracopos, passa por Guarulhos e vai até o Galeão. Essa ligação também vai permitir desafogar Guarulhos. E, para toda nossa situação de aeroportos, o trem bala tem um peso muito importante. Há um esforço gigantesco do Planalto para colocarmos esse projeto em andamento. Há dificuldades, como a Serra das Araras, que é uma região muito difícil, que requer estudos muito mais aprofundados. Mas há uma percepção da ministra Dilma, que é a responsável por essa obra, de que o projeto tem de sair. E nós, do Ministério do Turismo, dizemos que é uma obra imprescindível. Se perdermos esse trem para 2014, os nossos visitantes terão muito mais dificuldades para se locomover e vamos congestionar aeroportos, o que não precisamos que aconteça.
Malha Aérea
A ministra comentou: são R$ 6 bilhões do PAC que serão investidos em aeroportos e portos, também, e em infra-estrutura de transportes. Acredito que todo esse investimento vai nos permitir, para 2014, estarmos em uma situação boa. Em uma semana entrego para o ministro Nélson Jobim (da Defesa), um estudo da Abetar (Associação Brasileiras de Empresas de Transportes Aéreos Regionais). É um estudo detalhado, que consideramos extremamente importante para o desenvolvimento do turismo regional no país. Precisamos desenvolver linhas aéreas regionais para que as cidades turísticas possam contar com mais visitantes. Sabemos que, atualmente, a malha aérea é bastante restrita e, no entanto, que é vital para que possamos crescer no turismo regional e, também, para dar mais uma opção para o turista que vem assistir aos jogos. De outras experiências com grandes eventos, sabemos que o turista gosta de conhecer localidades próximas. Circula, em média, para localidades que ficam distantes até três horas além de onde vai assistir os jogos. De automóvel, por exemplo, se estiver interessado em um jogo em Brasília, poderá ir para Goiânia, e outras cidades bonitas da região. Já, se quiser, em duas horas e meia, ir até Manaus, precisará seguir de avião. Também, por exemplo, a duas horas e meia, poderia estar em Mato Grosso do Sul. Então, temos de contar com uma aviação regional muito mais forte, para atender as demandas. Poderíamos dar exemplos de muitas outras cidades, que vão receber turistas e precisarão de estrutura. Isso faz parte do nosso planejamento. O lema do Ministério do Turismo é planejar. E é o que estamos fazendo.
O secretário estadual de Turismo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, comentou a expectativa de público visitante, durante a Copa de 2014, respondendo a partir de projeções que dão conta de 500 mil turistas estrangeiros:
No período de carnaval, o Rio de Janeiro recebe cerca de 800 mil visitantes. A Copa do Mundo da Alemanha recebeu 3,5 milhões de visitantes. Certamente, esse número (o de visitantes na Copa de 2014) será muito maior. Não tenho dúvida porque há razões para isso: o tamanho do Brasil, suas dimensões continentais e a possibilidade de cobrir qualquer percurso em menos de três horas. Vou citar o exemplo do Rio de Janeiro, que você circula pelos principais pontos do estado em menos de três horas. E, de avião, você vai para qualquer lugar do país. Então, não tenho dúvidas que vamos receber uma quantidade muito maior, só que vai depender muito desse planejamento que está se fazendo agora, e acho que o resultado vai ser fantástico para o Brasil.
O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, observa que 60% da América do Sul estará representada nos Jogos:
Inclusive, tem um detalhe que muito pouca gente falou: deveremos classificar para a Copa do Mundo seis países da América do Sul. Então, o fluxo de torcedores aqui da América do Sul será enorme. Teremos o Brasil classificado automaticamente e mais as outras cinco vagas. Raciocinem aí, 60% da América do Sul representada nos jogos.
Ministra destaca que "a Copa é uma oportunidade única":
Isso é uma beleza! É mais do que pensávamos receber. Já temos, como maior fluxo de turistas estrangeiros, para o país, os argentinos. Em segundo lugar, os americanos, e, em terceiro, os portugueses. Acredito que, justamente pela proximidade de fronteiras, vamos ter, fora o interesse pelo futebol, um fluxo de turistas gigantesco. Poder sediar essa Copa é uma oportunidade única para o país. E é por isso que é importante que tenhamos um planejamento cuidadoso. Tenho certeza que, a parte de estádio, no que diz respeito ao futebol, está sendo trabalhada.
Ricardo Teixeira fala da importância de uma Copa:
Acho que a maior demonstração da importância da realização de uma Copa do Mundo pode ser dada, por exemplo, pela penúltima reunião do comitê executivo da Fifa, quando já havia pré-inscrições para a Copa do Mundo de 2018 da Europa, Inglaterra, Rússia, Espanha. Da Ásia, China e Austrália, que é considerada Ásia para efeitos de Futebol, além de EUA e Canadá. Todos pesos pesados.
Presidente da CBF também fala da preparação dos estádios:
Os estádios já estão em andamento. O Rio de Janeiro é um deles. Tem todo o estudo sendo feito pela iniciativa privada. E tem todos aqueles estádios que pertencem aos governos, como é o caso do Maracanã, do Mineirão e do estádio de Brasília. É a iniciativa privada que está se interessando em remodelar e reconstruir os estádios. Tem um fluxo muito grande de empresas e entidade internacionais interessadas não apenas em financiar, como também em participar dos projetos de estádios de multiuso. Dos estados que falei, o mais adiantado é Brasília que, no máximo em 30 dias, já terá uma solução com relação a isso. Os projetos já estão prontos, os financiadores já estão se reunindo para poder participar. Belo Horizonte, também, agora depois do jogo da Argentina. O Mineirão deve dar uma pausa para iniciar o processo de remodelação. Não temo que vá ter nenhum tipo de problema nessa parte.
Marta Suplicy explica que, para ter informação precisa de quanto será necessário investir na Copa de 2014, o Ministério do Turismo já deu início ao levantamento de dados:
Quando fizemos, há duas semanas a apresentação do estudo sobre os 65 destinos indutores de desenvolvimento no Turismo, fizemos entrevistas nas cidades a partir de 13 quesitos, para saber como cada uma respondia sobre as condições em que se encontram. Percebemos que o mais desenvolvido é infra-estrutura, e o que está menos avançado é monitoramento, ou seja conhecimento de dados, ou subsídios, nas próprias cidades do que existe. Começamos agora, então, a coletar dados. Quando digo que precisamos planejar, é porque estamos no limite do planejamento. E é aí que vamos chegar aos valores de investimento. Por enquanto, falamos "tem de investir", mas não se sabe ainda quanto. Vamos chegar lá. Por enquanto, investimos no que temos por certo que será importante. É o exemplo da qualificação. Será preciso investir muito em qualificação. O Ministério investia R$ 9 milhões/ano. No ano passado, aumentamos para R$ 42 milhões. Por quê? Porque sabemos que tem de aumentar. É fundamental e, se pudesse, faria o dobro.
Vamos fazer agora um acordo com a BBC, para ensino da língua inglesa, então tem muita coisa ainda sendo feita sem termos os detalhes de quanto precisaríamos fazer focado em cada cidade. Mas o Ministério vai fazer parceria com o governo estadual, com os municípios, com os estados, no que precisa ser investido, principalmente na área de infra-estrutura que é a área mais pesada.
Ministra destaca importância do Prodetur Nacional , que terá US$ 1 bilhão para investimentos:
Não sei se vocês acompanharam que o Prodetur Nordeste deu muito certo, nós conseguimos investir muito no ano passado, e esse ano nós temos liberados 1 bilhão de dólares para investimentos, e aí não é Nordeste, é o Brasil inteiro. O que é o investimento do Prodetur? É o investimento em infra-estrutura, é o saneamento básico, é estrada, é o que faz diferença para o turista, porque quando você investe no turismo você não investe no abstrato, e isso fica bom para o turista e ainda beneficia quem mora ali. Vou pedir para o Eduardo (Paes) dar um exemplo do que é a carta consulta do Rio de Janeiros, que foi apresentada e muito elogiada.
Eduardo Paes completa que o Prodetur é uma importante fonte de recursos para alavancar o turismo:
É uma janela de investimento fantástica, para todos estados do país. É um dinheiro barato, do BID, o MTur é que viabilizou isso, o Rio já apresentou a carta consulta, o Ceará também já apresentou, e você tem ali sinalização, infra-estrutura, qualificação, promoção, então é uma oportunidade que o MTur abriu para todos os estados. Na semana retrasada eu fiz a apresentação para o Cofiex, que é o órgão do Ministério do Planejamento e da Fazenda e que tem que aprovar, e está tudo muito bem encaminhado. Se todos os estados do Brasil tiveram esta disposição, tem muito dinheiro vindo para os estados.
Ministra avalia que a definição de investimentos para a Copa 2014 depende do planejamento das ações:
Nós não podemos ir no chutômetro em nada. Nós temos que planejar, e para planejar, temos que ter diagnóstico. Então não adianta eu ficar dizendo, "vai ser tanto", eu não trabalho assim, eu trabalho com números, projetos e planejamento. Na hora em que tivermos os resultados, nós começamos a avaliar os investimentos. Qualificação nós sabemos que vai precisar, então já estamos adiantando. Agora, se vai precisar dobrar, triplicar ou quadruplicar, vai ser o estudo que vai nos dizer.
Ministério não constrói hotéis, mas atrai investimentos para isso, diz Marta Suplicy:
Para entender o que o ministério pretende fazer, é preciso dar exemplos concretos. Então é o que eu coloquei: nós não vamos construir hotéis, não é função nossa. Mas é função nossa atrair investimentos para que sejam construídos hotéis. E não adianta ir em um seminário internacional e dizer "venham construir hotéis em nossas cidades que serão sedes". Não é assim que um investidor trabalha, ele quer saber as condições econômicas daquela cidade para poder investir, e é isso que nós vamos levar.
Paes informa que segurança da Copa terá como referência o modelo adotado nos Jogos Pan-americanos:
O Comitê organizador da Copa do Mundo não exige dos governos um tostão sequer. O que depende dos três níveis de governo, federal, estadual e municipal, é preparar suas cidades, seus estados, para receber bem seu visitante não só no aspecto turístico, mas no de segurança também. Na segurança pública, vamos nos referenciar num evento de menores proporções, que aconteceu ano passado, o Pan-americano, com a integração das polícias. A coordenação da segurança pública foi da Força Nacional de Segurança Pública, com as forças policiais do estado, polícia civil, polícia militar e um auxílio da guarda municipal, e foi um sucesso. O Brasil não tem histórico com problemas como terrorismo ou essas coisas mais complexas que a gente vê pelo mundo. Tem problemas de violência urbana, ninguém aqui esconde isso, já estamos enfrentando isso.
Ricardo Teixeira defende o emprego das Forças Armadas na segurança do evento:
Por exemplo, se raciocinando que a Copa do Mundo é um evento de, ao todo, 50 dias, mais a Copa das Confederações, não é nenhuma surpresa o que o Eduardo acabou de colocar pelo seguinte: na Alemanha e na França, por exemplo. Na Copa da França, quem foi se lembra muito bem que o patrulhamento de Paris, inclusive no Champs Elyses era feito pelo exército francês. Na Alemanha, o hotel que nós membros do Comitê Executivo ficamos em Berlim, era todo ele cercado pelo exército alemão. Então, é montada em todo o país uma estrutura para a Copa do Mundo. E obviamente o Brasil vai se preparar como se preparou para o Pan. Nos Estados Unidos, o exército americano e a guarda nacional também trabalharam inclusive nos estádios de futebol.
Presidente da CBF concorda com a ministra do Turismo e avalia que o Brasil está no rumo certo: planejando com bastante antecedência
Eu posso garantir que, e estou falando agora como membro do comitê executivo da Fifa, que acompanhou as copas desde 1990, nós estamos até um pouco avançados em relação ao que aconteceu em outras copas. Ou seja, nós já estamos planejando há sete anos muita coisa que não foi planejado em outros países nesta época, de forma que eu acho que o caminho é esse mesmo. Planejar e depois começar a fazer.