Pensando em Futebol


08/11/2007 - 15h00

Pressão da CBF derruba instalação da CPI do Corinthians

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A pressão da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) conseguiu derrubar nesta quinta-feira a instalação da CPI Mista do Corinthians no Congresso Nacional. O requerimento que pedia a instalação da comissão chegou a ser protocolado com assinaturas de 209 deputados. Momentos antes de sua leitura no plenário do Congresso, entretanto, o texto reunia somente 168 assinaturas --três a menos que o número necessário para a instalação da CPI.

Sem o número mínimo de assinaturas, a CPI acabou arquivada pelo Congresso. Os deputados favoráveis à comissão acusam a CBF de pressionar diretamente os deputados a retirarem assinaturas porque o órgão teme investigações em contratos firmados pela entidade.

"A única ação da CBF em relação a isso foi tentar sufocar uma CPI do futebol que ela administra. O que se constatou é que o Congresso foi utilizado para uma manipulação sem precedentes", disse o deputado Sílvio Torres (PSDB-SP).

Para o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), o Congresso se "agachou e amesquinhou" diante de interesses da entidade que administra o futebol brasileiro. Ele afirmou que a CBF teme as investigações porque sabe que a CPI poderá identificar irregularidades praticadas pela entidade --já que se propõe a investigar irregularidades não apenas no Corinthians, mas em todos os clubes de futebol brasileiros.

"Essa pressão que vem de fora amesquinha o Senado. Que tempos são esses? Por que um parlamentar sucumbir à pressão de um cartola?", questionou Dias.

A pressão da CBF ocorreu desde o início das articulações pró-CPI. Um dos dirigentes da entidade chegou a percorrer o plenário do Senado na tarde de hoje na tentativa de convencer deputados a retirarem assinaturas.

O deputado José Rocha (PR-BA) --um dos deputados contrários à instalação da CPI-- disse que a Copa de 2014 no país poderia ser prejudicada caso a comissão fosse instalada. "Eu acho que a moralização do futebol não precisa de CPI para ser investigada. Governadores que não desejam a CPI acham que seus Estados podem ser prejudicados na Copa de 2014 caso a comissão fosse instalada", afirmou.

Apesar de não conseguir reunir as 171 assinaturas de deputados necessárias para a instalação da CPI Mista, no Senado os parlamentares favoráveis à comissão conquistaram a assinatura de 39 senadores --contra as 27 necessárias para a sua criação.

Dias não descarta, agora, voltar a coletar assinaturas de senadores para reapresentar o pedido de criação da CPI somente no Senado. "Vou pensar no assunto. Preciso ver o interesse dos senadores em participarem desta CPI", afirmou.

Investigações

A CPI teria como objetivo apurar crimes contra o sistema financeiro e contra a ordem tributária no contrato firmado entre o Corinthians e a empresa MSI (Media Sports Investiment), além de outras irregularidades em transações financeiras de clubes de futebol.

A comissão queria investigar se o clube cometeu crimes como sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro em meio ao contrato com a MSI.

Outro objetivo da CPI seria apurar o envolvimento de dirigentes, jogadores e empresários do setor esportivo em eventuais irregularidades decorrentes da sociedade entre 2000 e 2007.

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 Escrito por Alessandro Rodrigues Pinto às 14h43 [] [envie esta mensagem]






TENDÊNCIAS/DEBATES

O Brasil tem condições de sediar a Copa de 2014?

SIM

Preparação e superação dos problemas

MAURICIO MURAD

FOI O que o Brasil ouviu da Fifa. Único concorrente, pentacampeão mundial, maior celeiro de craques, rodízio entre continentes, boa avaliação dos inspetores. Deu tudo certo. A Copa de 2014 será mesmo aqui. O mais importante, agora, é saber o que vamos fazer com tudo isso.
O Brasil foi escolhido apesar da violência, da corrupção, da impunidade. Nada disso é novo, embora alarmante. Novidade é o que podemos ganhar com a Copa. A Fifa e seus investidores exigem muito, mas também ajudam.
E com essa gente não tem brincadeira. Os interesses são grandes, e prazos, metas, orçamentos e compromissos têm que ser cumpridos. Assim, a Copa é uma boa oportunidade para o Brasil experimentar coletivamente novos conceitos e melhores valores.
Está no caderno de exigências da Fifa: avaliar, planejar e investir, tudo a curto, médio e longo prazo; mapear e controlar os problemas com ações de inteligência e prevenção; se preparar para aproveitar ao máximo o evento -antes, durante e depois. Afinal, é um direito e um dever ir além do campo esportivo, agregar valores e realizações que fiquem. Temos um histórico de vitórias dentro de campo. É hora de outras conquistas.
A Copa é uma chance rara de nos obrigarmos a construir e cumprir minimamente esse plano estratégico. Os ganhos em termos de emprego direto e indireto, na cultura, na segurança e em outros domínios são conhecidos.
Por isso, é bom aprender com quem já fez. Nossos laboratórios são o Mundial de 2006, na Alemanha, e o Pan de 2007, no Rio. Pesquisas ajudam no planejamento, na execução e na gestão do legado. Então, vamos convocar uma pequena seleção de resultados de pesquisa para auxiliar a avaliação.
A Copa da Alemanha foi um projeto da sociedade e uma ajuda à inclusão e ao desenvolvimento. Por cinco anos, investiram em infra-estrutura, além de campanhas mostrando o evento como uma grande oportunidade, e o futebol, como patrimônio cultural.
Não somos a Alemanha, mas temos sete anos pela frente. Não é muito, mas também não é tão pouco. É preciso começar já e estender ao máximo os efeitos da Copa. Devemos lembrar o que os alemães cantaram no Portão de Brandemburgo: "A Itália ganhou uma Copa, a Alemanha, uma alma". O Brasil precisa ganhar uma alma e passar a limpo suas instituições.
Lá, a segurança foi prioridade, para garantir os investimentos e a integridade das pessoas. O apoio das polícias internacionais, tido como fundamental, seguiu o previsto: pesquisa, inteligência, prevenção, convivência. A lei foi aplicada com autoridade.
Aqui, nosso estudo do Pan, com 2.410 homens e mulheres de diferentes idades, classes sociais e escolaridades, mostrou que, para 93%, a segurança é essencial na qualidade de vida. E 83% acharam que a segurança foi prioridade só no papel e que dela ficará pouco, "porque foi para gringo ver". A experiência alemã (e não o Pan) incorporou o que deu certo e deve ser o exemplo.
Que tal aproveitar os investimentos e a pressão internacional da Copa para fazer da segurança uma real prioridade? Não é porque nos falta segurança que não devemos ter a Copa; devemos ter a Copa para ajudar a ter segurança, entre outros aspectos.
A cooperação polícia-população, os fundamentos educacionais do esporte, o envolvimento das escolas e uma política para as áreas esportivas são precondições exigidas pela Fifa e devem ficar como legado.
A pesquisa do Pan mostrou a necessidade de melhorar o transporte, o trânsito e a iluminação das ruas. Leis duras e ações preventivas. Integração entre município, Estado e União em políticas públicas e projetos sociais.
Desde 2001, a Alemanha preparou 2006. O Brasil deve solicitar -e já- a ajuda alemã, como fez a África do Sul, sede de 2010. Isso é um direito previsto e bem-visto pela Fifa e seus patrocinadores. Não é um favor.
A Copa de 2006 e o Pan de 2007 são o nosso pontapé inicial. Temos que fazer mais, organizar melhor e controlar os custos. Bilhões estarão em jogo e sob avaliação internacional.
Nossa imagem também. Temos a obrigação de não perder essa. Esporte é atividade socioeducativa, expressão de identidade, fator de socialização. Uma Copa não resolve questões básicas, estruturais, mas pode ajudar. Depende de nós.


MAURICIO MURAD , 57, sociólogo, doutor em sociologia do esporte, é professor da Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) e do mestrado da Universo. É autor, entre outras obras, de ""A Violência e o Futebol, dos Estudos Clássicos aos Dias de Hoje".

NÃO

A quem serve a Copa no Brasil?

SÓCRATES e GUSTAVO VIEIRA DE OLIVEIRA

NÃO SE tem dúvida do êxtase que será uma Copa no Brasil. Festa e futebol é uma combinação perfeita para nós, brasileiros. É o que temos de melhor para mostrar ao mundo. Porém, ao observar esse grande evento no seu entorno, de forma mais profunda, percebe-se a distância que nos separa das condições e do merecimento para recebê-lo.
O futebol é fenômeno social, parte fundamental da cultura do país, inegável elemento de identidade nacional e extremamente simbólico. O futebol brasileiro (dentro e fora de campo) muito diz sobre o que somos, nossos valores, a dinâmica social e as relações de poder. É uma mostra didática do que é o Brasil. A Copa não deve ser analisada sob ótica diferente.
A falta de condições salta aos olhos nos primeiros movimentos realizados rumo à indicação e, a partir de agora, à organização desse megaevento. Ao verificar as lideranças que ameaçam tomar frente do processo, é possível antecipar o futuro de apropriação do bem coletivo, da personificação maliciosa da obra social difusa, da preponderância de interesses indignos e ilegítimos em benefício de si mesmos, de seu pequeno grupo e na defesa do podereco que eterniza essas práticas no futebol (e no país).
O comitê organizador da Copa 2014 é o melhor retrato (conforme informação desta Folha): uma só pessoa, que tudo pode e a ninguém presta satisfação e contas. Um déspota! Mas não devemos nos preocupar.
Qualquer evento esportivo acontece por si só. É só a bola rolar que as atenções se direcionam para o campo e esses "requintes" se esvaem e depois são esquecidos com a avalanche de informações direcionadas -especialmente as veiculadas pelo império midiático, onipresente e onipotente no futebol, que tem papel fundamental no atraso das instituições esportivas. Sempre foi assim no Brasil, não é?
O que interesseiramente ignoram e querem que ignoremos é o potencial mobilizador e de transformação social desse fenômeno jogado com os pés. Essa é a legítima função do futebol, a qual, se aflorasse, não encontraria limites para transformar realidades, integrar culturas e pessoas, formar cidadãos e consciências, enfim, servir de vetor do desenvolvimento e da igualdade social.
Essa é o entendimento fundamental que nos falta, a essência que daria sentido a uma Copa no Brasil e que, com esses valores, por beneficiar a todos (benefício verdadeiro, não apenas a felicidade fugaz por assistir a alguns jogos), nos faria, com muito orgulho, merecer tal evento.
Nem mesmo se pode afirmar que há condições para as melhorias dos equipamentos urbanos, conseqüência do fato de sediar um evento dessa magnitude. É o que se verifica com a experiência do Pan. Apesar de inúmeras promessas de legados fantásticos e benfeitorias maravilhosas, passada a competição, pouco se verifica de melhoria na vida cotidiana do carioca.
O que se viu foi uma imensidão de recursos públicos investidos de forma nada transparente, usados, em sua maioria, para maquiar ações sociais provisórias e, portanto, ineficientes, melhorias urbanas não prioritárias e para construir praças esportivas que servem aos mesmos citados anteriormente, seja em forma de concessões à exploração privada a preços ridículos, seja para um efêmero "circo sem pão" esportivo que sustenta esse podereco.
Nesse cenário, o mais cruel é perceber que o único que merece vivenciar uma Copa do Mundo, devido à paixão delirante dedicada ao futebol, pela intensidade com que esse esporte é parte de sua cultura e identidade, é aquele que, também por tudo isso, não é estimulado a discernir sobre a manipulação de sua paixão e a enxergar essa realidade -ou seja, o torcedor e o povo brasileiro.
Sob esses aspectos, com uma visão mais profunda e complexa, que insere a Copa do Mundo e o próprio futebol dentro do contexto social e político, driblando a idéia e o poder dos contrários, enfim, por ir além da festa e do futebol, mesmo que sufocando o torcedor dentro de nós, não vemos condições de o Brasil sediar um evento com tal magnitude e simbolismo e, ao mesmo tempo, proporcionar transformações na realidade social do nosso país, que é o que a nós (sonhadores de um Brasil mais humano e justo) interessa.


SÓCRATES BRASILEIRO SAMPAIO DE SOUZA VIEIRA DE OLIVEIRA , 53, é médico e ex-jogador de futebol (Copa do Mundo de 82 e 86).

GUSTAVO CECILIO VIEIRA DE OLIVEIRA , 30, é advogado, especializado em administração esportiva pela FGV.




 Escrito por Alessandro Rodrigues Pinto às 14h15 [] [envie esta mensagem]






Chave de ouro

Sabemos todos que como diria Xico Sá tão importante quanto torcer é secar.

Diria mais até, o ato de secar é o que verdadeiramente dá sentido a experiência torcedora.

Pois bem, a experiência dos pontos corridos por colocar várias coisas em disputa, o título, a Libertadores, a Sulamericana (notadamente aos times menores) e o rebaixamento, permite que se torça e seque em várias esferas a todo tempo.

O leitor mais atento já pode estar vendo onde se quer chegar. Amigos, a última rodada será inesquecível.

Há grandes, grandes mesmo, chances de Palmeiras e Corinthians virem-se dependentes um do outro e vice-versa. Quem define isso é o Grêmio que após derrota bizonha anda meio desacreditado.

Como o imortal não tem esse nome por acaso, carimba a faixa do São Paulo em pleno Morumbi e volta à disputa com toda força, logo, na última rodada teríamos o Palmeiras necessitando torcer contra o Grêmio que estará enfrentando um desesperado Corinthians.

Imaginem a seguinte situação: o Corinthians perde do Gremio e é rebaixado mas o Grêmio se classifica e o Palmeiras fica fora da Libertadores. Do contrário, o Corinthians vence e classifica o Palmeiras. É isso, melhor impossível. Agora é só torcer para secar.



 Escrito por Alessandro Rodrigues Pinto às 13h01 [] [envie esta mensagem]






GLOBOESPORTE

 

As chances de classificação para a Libertadores

 

Com base nos duelos das próximas rodadas, o GLOBOESPORTE.COM faz um levantamento do que precisa acontecer para que cada torcida possa comemorar a classificação no dia dois dezembro.

SANTOS

O empate com o Atlético-MG em casa não deve ter maiores conseqüências. O Alvinegro precisa apenas de mais cinco pontos e terá mais um jogo na Vila, contra Fluminense. Fora de casa, terá de enfrentar Flamengo, adversário direto, e Paraná, que briga para não cair.

Aproveitamento no Brasileirão: 56%
Chances de classificação: 94%
Próximos jogos: Flamengo (f), Paraná (f) e Fluminense (c).

 

CRUZEIRO
Com a bela vitória sobre o Flamengo por 3 a 1, a Raposa subiu para a terceira posição e voltou firme à briga por uma vaga. Na próxima rodada, o time viaja para encarar o Internacional. Têm grandes chances de conquistar vitórias fáceis diante do Sport, na penúltima rodada, e do rebaixado América-RN, em casa, na última. Precisa de sete pontos.

Aproveitamento no Brasileirão: 54%
Chances de classificação: 81%
Próximos jogos: Inter (f), Sport (f) e América-RN (c).

PALMEIRAS
A derrota para o Sport foi bem ruim para o Verdão. O time precisa somar nove pontos nas três rodadas restantes para carimbar o passaporte para a Libertadores, mas tem pela frente uma série de jogos não tão complicada. Recebe em seu estádio o Fluminense, que não aspira mais nada na temporada, e o Atlético-MG na última rodada, quando, ao que tudo indica, o Galo apenas cumprirá tabela. O time ainda enfrenta oInter fora de casa.

Aproveitamento no Brasileirão: 52%
Chances de classificação: 45%
Próximo jogos: Fluminense (c), Inter (f) e Atlético-MG (c).

GRÊMIO
O Tricolor gaúcho foi a decepção da rodada ao perder para o Figueirense por 2 a 1, no Olímpico. O time se mantém na briga pelo G-4, mas a conquista da vaga está cada vez mais difícil. Os próximos jogos são complicados, com exceção do América-RN, em Natal, na penúltima rodada. Os outros jogos são contra o desesperado Corinthians, na última rodada, em casa, e contra o pentacampeão São Paulo, fora.

Aproveitamento no Brasileirão: 51%
Chances de classificação: 23%
Próximos jogos: São Paulo (f), América-RN (f) e Corinthians (c).

FLAMENGO
O caminho do Fla para voltar para a Libertadores ainda é complicado, principalmente depois da derrota para o Cruzeiro por 3 a 1. Mas as chances são boas. O time precisa de pelo menos duas vitórias nos três jogos finais e terá confrontos complicados: o Santos, adversário direto, e Atlético-PR no Rio. A campanha encerra contra o Náutico, que pode estar lutando contra o rebaixamento, em Recife. 

Aproveitamento no Brasileirão: 52%
Chances de classificação: 54%
Próximos jogos: Santos (c), Atlético-PR (c) e Náutico (f).

 



 Escrito por Alessandro Rodrigues Pinto às 12h33 [] [envie esta mensagem]




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BRASIL, Sudeste, SAO PAULO, VILA MADALENA, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, Spanish, Esportes, Viagens, turismo









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