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Notas sobre o sofrimento Amigos,
Não nos esqueçamos, brasileiro não gosta de futebol, gosta mesmo é de vencer. E a idéia vencedora de Brasil só existe quando a seleção joga. É essa a lógica que permite a construção cada vez mais elaborada do verdadeiro conto de fadas brasileiro.
E agora, depois do conto de fadas, a ressaca.
Não há de ser nada, caberá sempre discussão sobre um e sobre outro.
A começar pela ressaca, acho interessante notar a quem atinge mais e se entenderá um pouco mais dessa magia da Copa.
A Copa do Mundo, sobretudo no Brasil, parece ser feita exatamente para quem não vive o futebol em outras épocas. Notem os comentários, a histeria na vitória, a histeria na derrota. Nada contra, exatamente ao contrário, mas suponho que nós outros, os ditos fanáticos, até por isso temos essa energia agressiva do esporte melhor canalizada e chego a pensar mesmo que dói menos em mim do que na Dona Maroca, minha vizinha, que soube apenas no início do mês passado quem era a bola.
É pra se pensar... Falando nisso, seguem abaixo algumas notas sobre Parreira, a imprensa, o futuro e etc. É isso, apareçam! Escrito por Alessandro Rodrigues Pinto às 14h58
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Sobre a burocracia e a burrice bur.ro s. m. 1. Zool. Produto híbrido resultante do cruzamento da égua com o jumento; mulo. 2. Jumento. 3. Fam. Indivíduo estúpido, grosseiro, teimoso ou muito ignorante. Adj. Asnático, estúpido, imbecil. Pra burro, Gír.: em grande quantidade; muito, em demasia. bu.ro.cra.ci.a s. f. 1. Influência dos funcionários públicos, especialmente dos das secretarias de Estado, no governo do país. 2. Pej. Administração com excesso de formalidades. São definições do dicionário Michaelis, mas não diferem muito das de outros bons dicionários e creio, nem do senso comum.
Destaco os trechos em negrito pois creio serem fundamentais às linhas que seguem. Indaguei alguns amigos mais próximos ao espaço rural para entender essa bela e não tão simples relação da zoologia.
O cavalo é “marido da égua”, o jumento da jumenta. Quando “se amam” entre si nascem respectivamente, novos cavalos e novos jumentos e a vida segue.
Ocorre que os machos dessas espécies são chegados na idéia de botar uns chifres, talvez em resposta à nostalgia do unicórnio, Freud explica, ou não.
O fato é que quando o cavalo transa com a jumenta, nasce o burro. Entendeu? E como um castigo, divino ou genético, essa pobre criatura não faz filhos. Na natureza, portanto, o burro não tem lá muito que fazer de bom, então trabalha. E trabalha bem, como me assegurou um amigo conhecedor do assunto, o Tripa, “exceto quando empaca” assegura.
“Trabalha e quando empaca não há guincho que o tire do lugar...” diz com propriedade. Agora vejamos o burocrata, administra com excesso de formalidades, ou seja, talvez privilegie a forma em detrimento ao conteúdo.
A simples menção ao termo nos remete aos meandros da coisa pública, ou daquelas que mesmo não sendo parecem ser. E o que é mérito para um verdadeiro burocrata?
A carreira, o tempo de serviço, os contatos? Sei lá.
Assimilados os conceitos fica mais fácil que se entenda o post abaixo... Escrito por Alessandro Rodrigues Pinto às 14h54
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Em defesa a Carlos Alberto Parreira. Em 1967, e indicado pelo Itamaraty, aos 24, para “representar o país em Gana” como técnico da seleção local. Em 1969, após a queda de Saldanha, pouco afeito a burocracia, sobretudo à burocracia militar, Parreira é convidado por Admildo Chirol, preparador físico militar da seleção brasileira, para auxiliá-lo. Nosso herói inicia assim sua extensa carreira na CBF, então CBD.
A história que segue basicamente se sabe, Parreira sai e volta de vez em quando. Na verdade, sai sem nunca ter saído direito, como todo mundo dessa atual comissão técnica, aliás.
Tudo bem que morreu Chirol, como morreu precocemente Coutinho, capitão do exército e técnico em 78, assim como o Dr. Lídio Toledo aposentou-se não sem antes imortalizar a pérola: “Não sou médico, sou ortopedista!” e não sem antes eleger seu filho sucessor, é um dos três médicos da seleção principal. E o que dizer de Zagallo, o único tetra de verdade, estreou há quase exato meio século, isso mesmo, meio século.
Dizem boas e más línguas que Parreira só aceitou a “tarefa inglória”, de voltar a ser técnico para manter o emprego dos muitos amigos como Américo Faria, já que na verdade preferia uma função mais burocrática.
Fica mais fácil entender, numa cultura corporativa desse porte o que faziam ali Roberto Carlos, Cafu, o próprio Ronaldo, não? E por que deixá-los na reserva? Onde é que fica a meritocracia, o respeito aos anos de serviços prestados? E assim a seleção se hierarquiza. Intencionalmente, diga-se.
Parreira é também burro, no melhor dos sentidos, não cria, operacionaliza. Leva e traz e por vezes empaca. E aí nem a Cafu Guinchos para tirá-lo do local. Não tem culpa ou tem menos do que parece.
Quem não sabe o que é? Que sua carreira, de pouquíssimos e importantes títulos foi feita assim? Quem está surpreso com isso? Galvão? Bial?
É justo culpar um profissional por fazer exatamente o que dele se espera?
Gestor de talentos segundo seu próprio conceito, pode lá ter falhado, não é fácil lidar com tantas pessoas jurídicas como as que jogam na seleção, mas esse talvez seja um problema da própria hierarquia, seria Ronaldo chamado de presidente pelos colegas, por acaso?
No campo é fraco, sempre foi fraco e imagino continue a sê-lo. Sabemos no Brasil que a psicologia no futebol profissional tem lógica própria.
Felipão, hoje com status de Deus, já foi flagrado mandando bater, mandando cuspir, entre uma oração e outra. Luxemburgo, o estrategista, já foi às vias de fato com jogadores diversas vezes. Bonito pode não ser, mas parece funcionar mais do que discutir Foucault com o Roberto Carlos. Não gostar de Parreira como treinador me parece normal, mas culpá-lo por ser o que sempre foi, me parece demais. Questão de coerência. Escrito por Alessandro Rodrigues Pinto às 14h53
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Sobre a mídia e os midiáticos. Nada houve de pior. Nem a apatia contra a França, nem a apatia de toda a Copa. Nada houve de pior do que a tão anunciada inesquecível cobertura jornalística brasileira à Copa.
Esclareça-se não se tratar de nenhuma espécie de despeito. Esclareça-se não ser uma generalização barata, houve os bons de sempre, Juca, Torero, Clóvis Rossi, Nelson Motta, Ferreira Gullart, Xico Sá, José Geraldo Couto e outros além do eixo Folha-Estado mas o grosso foi um Deus nos acuda.
O Bial, por exemplo, sujeito notadamente sensato, inteligente e chegado ao esporte, protagonizou vários dos piores momentos da Copa com suas “crônicas”, quero crer ser por não ser possível ser Armando Nogueira diariamente. Até Armando Nogueira, quem diria? Péssimo atribuindo bola grande aos bons, bolinhas aos ruins. Se não viu, sorte sua.
Parte dessa mediocridade, creio ser devida à falta de notícias, simples assim. Em época de seleção formada de pessoas jurídicas midiáticas, o controle da informação é exagerado, esbarra na censura mesmo.
O que acham que faz Rodrigo Paiva ao lado de todos os jogadores da seleção até mesmo quando estes vão dar bom dia? Aliás, o que faz Rodrigo Paiva sentado no banco de reservas da seleção?
Tempos modernos, parceiro.
A outra parte creio dever-se ao especial gosto brasileiro pela chanchada.
Não perdemos tempo discutindo a organização da Copa, os efeitos positivos dela para o Turismo na Alemanha, as diferenças culturais entre os países, o que vale é saber se o Roberto Carlos pegou alguma baranga.
A informação da mídia esportiva é a que entretém e não a que educa. Como se elas devessem por alguma razão ser separadas por todo o sempre.
Pense no programa do Milton Neves, por exemplo, entendo o Juca Kfouri dizer que não é ético jornalista fazer jabá, o que não entendo e por que chamar Milton Neves de jornalista.
Seu programa é de entretenimento. Barato e vagabundo como o de grande parte da programação de nossa querida TV. A diferença entre o programa citado e o do Ratinho é, pensando bem, não sei qual é. Não são os únicos.
Pensemos no maior exemplo de mau gosto dos últimos anos, a tal leitura labial, se fosse feita pelo Milton ou pelo Ratinho, vá lá, mas o Fantástico. E engraçada foi a desculpa: Não era jornalismo, era entretenimento... Sacou a lógica? Aliás, é incrivelmente estranho como alguns jornalistas se arrepiam de ouvir dizer que fazem entretenimento. Ilusão de noiva virgem.
O Galvão posso deixar pra lá, né? Foi o de sempre. Vale apenas o registro de sua indignação com Parreira e uma perguntinha, não era ele quem defendia o figura, comportando-se às vezes como assessor de imprensa? E o Bial não era “Parreirista”? Escrito por Alessandro Rodrigues Pinto às 14h51
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Sobre a mídia e os midiáticos.(2) O que salva é o Casagrande, pra mim, o melhor de todos. O Cleber é muito bom também, embora tenha protagonizado momentos engraçados, próprios de quem fala muito, vá narrar um jogo por dia sem falar nenhuma besteirinha, não dá. Espero que aprendamos algo disso também, já que não se trata apenas de mudar o canal. Em época de midiáticos, reforça-se o papel da mídia. Quantos brasileiros sabem quem é considerado o melhor jogador do mundo? Todos! Quantos o viram atuar noventa minutos pelo menos duas vezes no último ano? Poucos, muito poucos. O cara vira o melhor do mundo no jornal do SBT, em 30 segundos e um sorriso da Ana Paula Padrão. Quem vai substituí-lo? Valeria para uma maior discussão sobre isso a compreensão do “hiper-real”, um recorte da realidade que de tão potencializado, a substitui. Ronaldo é brasileiro, não desiste nunca. Tem uma linda história na seleção em Copas, é o maior artilheiro da história das Copas, blá, blá, blá... Ora, isso de tão repetido elimina todas as sombras de dúvida sobre o Fenômeno ser, de fato, o maior de sua época. Inverta o raciocínio e elimine da história de Ronaldo as Copas. Agora imagine isso igualmente potencializado e temos que o Fenômeno é medíocre, ganhou muito pouco na carreira, aliás, é uma mentira. Questão de foco, de ângulo, questão midiática e , evidentemente, manipulável. Lula pode ser o herói metalúrgico que diminuiu a desigualdade de renda no Brasil, pode ser também o chefe da quadrilha que notadamente instalou-se em Brasília, locupletando-se em grande orgia. Que parte da verdade você prefere? Escolheu? Agora experimente potencializá-la de preferência com a narração do Galvão e a parte se transformará no todo. Particularmente no futebol faz-se importante analisar o quadro, daqui por diante são ídolos midiáticos os que teremos, fundamental lembrar disso quando se fala em identidade, renovação. Ronaldinho é o melhor do mundo porque aparece mais que os outros na televisão. Por que acham que um jogador “custa” 10, 30, 50, 100 milhões? Por ser mais ou menos midiático. Por que Robinho “custou” mais barato do que Émerson? Porque o último já era um produto midiático formado, Robinho não. Escrito por Alessandro Rodrigues Pinto às 14h49
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Mentira A diretoria do Santos Futebol Clube desmente, sem muita força, a notícia abaixo. Escrito por Alessandro Rodrigues Pinto às 14h47
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Espaço Aberto para a Informação exclamação... Enquanto tomo fôlego para falar da Copa, do Brasil e do Parreira, o que espero que ocorra amanhã, divido com vocês a informação que recebi e que acho ainda meio inédita: Serginho Chulapa, Antonio Mello e etc. já acertaram com a CBF e integrarão a comissão técnica de Wanderley Luxemburgo, à partir do fim da Copa... Quem viver verá...
Escrito por Alessandro Rodrigues Pinto às 17h42
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